vendredi 6 février 2009

mas o que se pode fazer, não é? assim expira o mundo.
(não com uma explosão, mas com um suspiro.)

my love life.

primeiro eram enormes e pesados carrosséis de cavalos-sem-cabeça, sangrando xarope artificial de morango pela ferida no pescoço.
depois, palmeiras e diamantes, infinitas xícaras vazias espreguiçavam-se ao sol sobre a mesa, o lençol era azul e corvos empoleiravam-se à janela.
em seguida, o sol saiu; sempre sol, mesmo quando chovia. centenas de pardais, andorinhas, colibris, pintassilgos, rouxinóis, tudo o que há de alado no mundo planando longe, sem nem mesmo bater as asas, sem temer qualquer gaiola.
e então -- nuvens e pequenas conchas, arco-íris de asfalto, aviões traçando linhas no céu, o mundo todo enfeitado, o mundo todo um castelo, pomares, dilúvios, estranhas plissagens.

agora, só nuvens. todas em formatos, não de nuvens, mas de sopros cheios de significado; as estrelas, presas ao céu por longas linhas de nylon, balançam e escondem-se. o mar espuma, mas não chega até aqui, eu diria que nunca vi o mar.

and it's likely to be too late.

é tão triste quando você sorri para uma pessoa e ela sorri de volta, de longe, e os olhares dos dois se roçam como asas de pássaros e você sabe que compartilham o mesmo pensamento -- no caso, de que teríamos sido bons amigos --, mas já é tarde demais.

jeudi 5 février 2009

se por acaso os anjos descessem até aqui e me perguntassem, cheios de asas e penas e compaixão, qual seria a raça que eu gostaria de exterminar da face da terra (como um bônus: você foi uma menina boazinha e por isso merece uma recompensa), eu diria:

a raça das pessoas que mexem com as outras no meio da rua.

acho um ato desnecessário, invasivo, frequentemente equivocado, falha de caráter, falta de modos e de surra.

digo, não é engraçado. e se você realmente tem de fazer um comentário sobre tal pessoa, diga-o baixinho para o seu amigo do lado, ou anote para comentar depois, durante o jantar, com toda a sua família que certamente ficará orgulhosa de ter dado à luz uma criatura tão amável. porque, acredite, ninguém realmente se importa com o que uma pessoa na rua pensa dela; pense o que lhe parecer melhor, mas, por favor, não interaja. não grite. não avise que a pessoa que está passando é isto ou aquilo ou aquilo outro. principalmente porque você é tão vulnerável a comentários quanto ela, e ela replicaria no mesmo tom, se quisesse -- mas oh, por que perder seu precioso tempo e toda a elegância ao berrar no meio da rua? ninguém acha isso legal, engraçado, agradável ou seja o que for. só você.

ou, ainda, se a intenção for ser realmente desagradável: missão cumprida. mas, honestamente, por que alguém faria isso, digo, ser desagradável e propósito com um estranho que poderia muito bem ser um sociopata ou seja o que for? ou mesmo um não-sociopata, mas armado de uma pedra, um tijolo, um vaso, que seja, nunca se sabe. por que alguém seria propositalmente desagradável com alguém que nunca lhe fez nada? por que alguém ofenderia alguém só pelo fato de sua vida ser tão vazia, entediante e em vão, que ele precisa deseperadamente fazer com que outra pessoa se sinta ainda pior que ele mesmo? fazer uma pessoa se sentir mal não vai mudar o fato de que a sua vida é vazia, entediante e em vão. só vai magoar alguém que não tem nada a ver com isso.

não compreendo. de verdade, não compreendo.

mercredi 4 février 2009

you've got a diamond under your skin.

eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele desabrocharia, abriria seus longos olhos em uma manhã pálida como qualquer outras e seria capaz de ver tudo aquilo que é inacessível para tantos outros.

eu sabia que só precisava esperar um pouco, ser graciosa e paciente, não desistir. pois sempre foi tão diferente; nada urgente, efêmero, banal. ou por outra: banal, sim; como o são todas as coisas dignas de suspiros. mas nunca algo comum, cotidiano. um algo que só se encontra uma vez a cada duzentos anos, a cauda translúcida de um peixe de aquário, notas musicais que perfuram nuvens.

and that black rock in your bedroom, i hope you'll climb it soon. in your boat, tied to a tree, i hope you'll find the sea.

falta tanto ainda, mas agora parece tão pouco. ele vai ficar bem. dizer isso é como respirar novamente: ele vai ficar bem. preciso admitir que eu receava que não, que suas pálpebras estivessem cerradas definitivamente, trancando seus olhos em nuances de escuro. mas é claro que não: ele vê; respira; e fala, que linda voz.

mas o que mais poderia se esperar de alguém tão azul, tão flutuante quanto uma nuvem? he's worth hundreds of sparrows.

lundi 2 février 2009

il n'est pas une bonne idée si on réceptionne la nouvelle année avec peur ou colère, je crois.
la nouvelle année est comme la naissance d'un oiseau: on dois lui tenir avec ses deux mains, tout délicatement, et soupirer, pour lui insouflant la vie aux ses petits poumons.

dimanche 1 février 2009

ontem eu fui ver uma orquestra sinfônica. era como flutuar. era como amar 80 pessoas de uma vez só, e querer mandar flores a elas, com cartões individuais, todos cheios de coraçõezinhos nas margens.

hoje eu estive em uma cozinha azul e foi como estar em um filme. lá fora, as orquídeas desabrochavam lentamente e maritacas atiravam frases banais umas às outras.