vendredi 30 janvier 2009
mercredi 28 janvier 2009
maybe i should go and live amongst the animals.
MAS MEU DEUS.
aí, ó. é por isso que eu não aprecio relações interpessoais. simplesmente não tem como acabar bem, eventualmente alguém vai sair mancando.
aí, ó. é por isso que eu não aprecio relações interpessoais. simplesmente não tem como acabar bem, eventualmente alguém vai sair mancando.
adendo
preciso explicar melhor isso do ciúme.
porque eu resolvi prestar homenagens e então fui ler a volta ao dia em 80 mundos antes de dormir. e eu estava quase-quase. mas que mentira, não estava não. estou completamente acesa, ainda, nenhuma molécula de sono, nenhuma dormência confortável crescendo como embrião no meu cérebro, nada. mas enfim, estava lendo. e aí ele me vira e diz:
"conheço um grande amolecedor, um sujeito que vê mole tudo o que vê, amolece as coisas só de vê-las, nem sequer de olhá-las porque ele vê mais do que olha, e então fica por aí vendo coisas e todas são tremendamente moles e ele está contente porque não gosta nada de coisas duras."
então, veja, não tem como não querer possuir uma coisa assim, com toda a exclusividade que há no mundo. sem contar (e essa parte eu até relutaria em comentar, mas) que ele tem essas expressões, uma expressão específica que, oh. tá bem, eu digo: ele diz tchê. e a nostalgia me vem como uma onda (de mar, não de ar; essa onda, eu diria até, é nada mais do que uma imensa carpa lilás), cheia de gotas de vidro azuis, espumas e pérolas e flocos de açúcar. eu não luto contra, é irresistível demais.
por isso, concluindo, eu tenho ciúme do julio cortázar. e nem me envergonho, havia mentido.
e ainda acrescento que também tenho ciúmes do marcel proust. desculpe-me, mas ele falou de coisas róseas, de plissagens, de flores brotando de xícaras de chá, e não tem como. esta é outra coisa contra qual eu não luto: algumas frases são simplesmente tão perfeitas que é como se houvessem sido cuidadosamente esculpidas durante anos, então se elas se atiram contra mim e pedem que eu as adore como se fossem deusas, bem, não posso fazer nada.
porque eu resolvi prestar homenagens e então fui ler a volta ao dia em 80 mundos antes de dormir. e eu estava quase-quase. mas que mentira, não estava não. estou completamente acesa, ainda, nenhuma molécula de sono, nenhuma dormência confortável crescendo como embrião no meu cérebro, nada. mas enfim, estava lendo. e aí ele me vira e diz:
"conheço um grande amolecedor, um sujeito que vê mole tudo o que vê, amolece as coisas só de vê-las, nem sequer de olhá-las porque ele vê mais do que olha, e então fica por aí vendo coisas e todas são tremendamente moles e ele está contente porque não gosta nada de coisas duras."
então, veja, não tem como não querer possuir uma coisa assim, com toda a exclusividade que há no mundo. sem contar (e essa parte eu até relutaria em comentar, mas) que ele tem essas expressões, uma expressão específica que, oh. tá bem, eu digo: ele diz tchê. e a nostalgia me vem como uma onda (de mar, não de ar; essa onda, eu diria até, é nada mais do que uma imensa carpa lilás), cheia de gotas de vidro azuis, espumas e pérolas e flocos de açúcar. eu não luto contra, é irresistível demais.
por isso, concluindo, eu tenho ciúme do julio cortázar. e nem me envergonho, havia mentido.
e ainda acrescento que também tenho ciúmes do marcel proust. desculpe-me, mas ele falou de coisas róseas, de plissagens, de flores brotando de xícaras de chá, e não tem como. esta é outra coisa contra qual eu não luto: algumas frases são simplesmente tão perfeitas que é como se houvessem sido cuidadosamente esculpidas durante anos, então se elas se atiram contra mim e pedem que eu as adore como se fossem deusas, bem, não posso fazer nada.
preciso confessar que eu morro de ciúmes do julio cortázar, do anton tchekhov, do samuel beckett e do james joyce.
e do morrissey também,
do sindri do seabear,
do martin wheeler do vector lovers,
do wim wenders,
da liv ullmann,
do lukas moodyssoon,
do bertolt brecht,
do joel nicholson do butcher the bar,
dos dois lovekevins,
do ólafur arnalds,
do jean-pierre leaud,
do ian curtis,
do mário peixoto,
do dr. seuss,
do eduard uspensky,
da monica vitti
e do lukoyanychev do sleepy town manufacture também.
eu gosto, e muito, de mais milhares de pessoas, mas céus, juro que me dá uma angústia que eu não sei explicar quando vejo outras pessoas gostando desses, até me envergonho.
e do morrissey também,
do sindri do seabear,
do martin wheeler do vector lovers,
do wim wenders,
da liv ullmann,
do lukas moodyssoon,
do bertolt brecht,
do joel nicholson do butcher the bar,
dos dois lovekevins,
do ólafur arnalds,
do jean-pierre leaud,
do ian curtis,
do mário peixoto,
do dr. seuss,
do eduard uspensky,
da monica vitti
e do lukoyanychev do sleepy town manufacture também.
eu gosto, e muito, de mais milhares de pessoas, mas céus, juro que me dá uma angústia que eu não sei explicar quando vejo outras pessoas gostando desses, até me envergonho.
sleep on and dream of love (because it's the closest you'll get to love)
minhas considerações sobre carência afetiva:
já que nunca vai passar, de qualquer forma, não é mais fácil simplesmente lidar com ela? tinha um poema do drummond, eu acho, que dizia algo sobre isso. mentira, não me lembro se era do drummond, só lembro que li em algum lugar e era muito bonito e simples e terminava com um suspiro (um suspiro conformado, mas não conformado de um jeito negativo, era um suspiro leve talvez até de alívio).
todo mundo está sempre procurando por alguém ou algo, mas sabe. é tão em vão.
não que eu esteja sendo amarga e rancorosa, só estou constatando objetivamente, com o distanciamento de uma enfermeira.
e muito menos estou dizendo que as pessoas deveriam desistir umas das outras, céus, não. se elas desistissem, elas não escreveriam músicas lindas sobre isso, com frases como there is a diamond under your skin, e eu morreria porque praticamente me alimento de frases assim.
digo, só acho que, se as pessoas se dessem conta disso, sabe, de que sentir um vazio afetivo é completamente ontológico à todo mundo, ninguém iria perder os eixos tentando preenchê-lo, nem se divorciariam tanto e não ficariam todas doentas do pulmão e do coração e de tantas outras coisas, de pura frustração.
vou citar o buk, mas sem querer soar certa nem nada, é só que eu me lembrei:
one must finally consider the real things:
most creatures are incapable of love.
almost every walking talking living creature is
incapable of love.
this is not inconsiderate of them--
it is like asking them to have 3 eyes when
they only have 2.
it's like asking them to have what they do not have:
frogs are frogs
dogs are dogs,
the mould is set.
(...)
when you loot at that empty bed
do not always consider it a defeat--
a sexual starvation, perhaps,
but there's more room to strech the legs
and the arms.
there's room to consider and to think and to wait,
and if that one doesn't arrive
any time and forever
realize that
doves need doves
crickets need crickets
swordfish need swordfish
fleas need fleas
hogs need pigs
pigs need hogs.
the river runs alone.
there is only one sun.
and sometimes alone
when the agony seems greater
that the gut-mind can bear
laughter arrives.
in small rooms
laughter arrives
you begin to laugh
the gift arrives
this laughter
and it runs up and down the walls
until you get tired and the walls
get tired
and then you sleep
and then you sleep
and sleep and sleep...
(ici)
já que nunca vai passar, de qualquer forma, não é mais fácil simplesmente lidar com ela? tinha um poema do drummond, eu acho, que dizia algo sobre isso. mentira, não me lembro se era do drummond, só lembro que li em algum lugar e era muito bonito e simples e terminava com um suspiro (um suspiro conformado, mas não conformado de um jeito negativo, era um suspiro leve talvez até de alívio).
todo mundo está sempre procurando por alguém ou algo, mas sabe. é tão em vão.
não que eu esteja sendo amarga e rancorosa, só estou constatando objetivamente, com o distanciamento de uma enfermeira.
e muito menos estou dizendo que as pessoas deveriam desistir umas das outras, céus, não. se elas desistissem, elas não escreveriam músicas lindas sobre isso, com frases como there is a diamond under your skin, e eu morreria porque praticamente me alimento de frases assim.
digo, só acho que, se as pessoas se dessem conta disso, sabe, de que sentir um vazio afetivo é completamente ontológico à todo mundo, ninguém iria perder os eixos tentando preenchê-lo, nem se divorciariam tanto e não ficariam todas doentas do pulmão e do coração e de tantas outras coisas, de pura frustração.
vou citar o buk, mas sem querer soar certa nem nada, é só que eu me lembrei:
one must finally consider the real things:
most creatures are incapable of love.
almost every walking talking living creature is
incapable of love.
this is not inconsiderate of them--
it is like asking them to have 3 eyes when
they only have 2.
it's like asking them to have what they do not have:
frogs are frogs
dogs are dogs,
the mould is set.
(...)
when you loot at that empty bed
do not always consider it a defeat--
a sexual starvation, perhaps,
but there's more room to strech the legs
and the arms.
there's room to consider and to think and to wait,
and if that one doesn't arrive
any time and forever
realize that
doves need doves
crickets need crickets
swordfish need swordfish
fleas need fleas
hogs need pigs
pigs need hogs.
the river runs alone.
there is only one sun.
and sometimes alone
when the agony seems greater
that the gut-mind can bear
laughter arrives.
in small rooms
laughter arrives
you begin to laugh
the gift arrives
this laughter
and it runs up and down the walls
until you get tired and the walls
get tired
and then you sleep
and then you sleep
and sleep and sleep...
(ici)
mardi 27 janvier 2009
i'm feeling better everyday.
mas o lobo, não é mesmo? ele pára diante da porta e sopra.
...
acho que não existe palavra mais ridícula e pretensiosa do que "intermitentemente". luzes intermitentemente etc, por exemplo. não é mais simples dizer que as luzes piscam? piscar é uma palavra muito menor, mais limpa, até. não polui e não ofende ninguém. e passa a mensagem tão bem quanto, sem floreios nem nada.
...
e o que se faz, minha querida, quando o sol pára no centro do céu e resolve que nunca mais irá se mover? bem: bebe-se um copo d'água e fica-se em contemplação do eterno dia, aguardando pelo domingo. (domingo sendo um monstro, uma nuvem de ar ruim, amarela, secando flores.) nunca é suave, nisso concordamos. por outra, é como quebrar os dedos todos e nunca curá-los. as coisas têm de fluir, por isso.
...
amanhã terei mais daquelas aulas chatas e compridas como girafas (mas nunca tão elegantes) e pretendo levar, como meros passa-tempos:
1) um caderno
2) dois livros
3) lápis de cor
4) um polvo gigante e o templo de hércules
(porque é impossível se aborrecer pensando no júlio verne, você sabe.)
...
acho que não existe palavra mais ridícula e pretensiosa do que "intermitentemente". luzes intermitentemente etc, por exemplo. não é mais simples dizer que as luzes piscam? piscar é uma palavra muito menor, mais limpa, até. não polui e não ofende ninguém. e passa a mensagem tão bem quanto, sem floreios nem nada.
...
e o que se faz, minha querida, quando o sol pára no centro do céu e resolve que nunca mais irá se mover? bem: bebe-se um copo d'água e fica-se em contemplação do eterno dia, aguardando pelo domingo. (domingo sendo um monstro, uma nuvem de ar ruim, amarela, secando flores.) nunca é suave, nisso concordamos. por outra, é como quebrar os dedos todos e nunca curá-los. as coisas têm de fluir, por isso.
...
amanhã terei mais daquelas aulas chatas e compridas como girafas (mas nunca tão elegantes) e pretendo levar, como meros passa-tempos:
1) um caderno
2) dois livros
3) lápis de cor
4) um polvo gigante e o templo de hércules
(porque é impossível se aborrecer pensando no júlio verne, você sabe.)
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